Culpo a profusão de ferramentas de manifestação virtual pela minha ausência.
Sério. Você imaginaria que a invenção do twitter, com seus breves vômitos verbais, e do facebook, com suas atualizações constantes de status, trariam uma multiplicidade de assuntos para se falar a respeito... Mas não! Na verdade, essas ferramentas só fazem transformar todos os assuntos em gigantescos clichês. E, por mais que eu me reconheça como um gigantesco clichê - e quem não é?-, nada me dá mais medo do que arquitetar frases clichê. Paradoxal, não? E bastante clichê, se você pensar a respeito. Mas vocês ficariam surpresos com o tanto que meu medo de reiterar o óbvio ainda me assombra diariamente.
Enfim, divagações filosóficas à parte, com esse excesso de informações e "trending topics" do cotidiano, fica extremamente difícil expressar ideias que fujam do óbvio, mas sem cair na irrelevância. O medo de ficar reafirmando o óbvio se choca com o medo de falar sobre assuntos desinteressantes, e eu acabo entrando numa verdadeira espiral de dor criativa toda vez que sento aqui para escrever. Antes, eu me sentia bem espinafrando a Jessica Alba sem motivo aparente, ou fazendo analogias espertinhas a respeito dos lábios da Keira Knightley, mas agora eu sinto que esse discurso já não é mais novo, tampouco diferente, e, sinceramente, não é mais "eu". O que seria um discurso "eu", ainda está para ser determinado. Mas estou lentamente procurando ele, respeitando minha aversão a temas socialmente relevantes como o meio ambiente ou a rodada de Doha, mas ao mesmo tempo evitando cair no "eu" excessivo de pessoas que twittam a respeito de seus cafés-da-manhã.
Mas o problema com todo processo de autoreflexão é que você acaba se tornando obcecado consigo mesmo. No momento, estou assim: só penso em mim mesma. Por um lado, estou aprendendo muito sobre o ser "Fernanda Prates" ( o fim de um relacionamento longo tira certas "muletas" e instiga uma reflexão forçada), mas, por outro lado, estou me afastando do convívio social porque, se essas quantidades abusivas de "Fernanda" já são demais para mim, imagine para os outros. Não quero expor terceiros ao meu egocentrismo estratosférico, e talvez por isso tenha evitado o momento de verbalizar algo por aqui. Porque todas as vezes em que tentei parar e falar sobre um livro, uma série ou uma música, parti para mim novamente. E não gosto do resultado final. Em parte, porque tenho medo de decepcionar meus leitores. Mas também tem o medo bastante egoísta de não querer ficar no vácuo, de ter medo de soar estúpida, de ouvir "foda-se"s mentais.
Mas eis que hoje decidi deixar fluir e o resultado é o que vocês estão vendo aqui. Provavelmente vou me arrepender de me expor tanto depois (e ainda vou editar esse texto prolixo e repetitivo umas mil vezes), mas agora está sendo uma experiência bastante legal.
Já que estamos nessa vibe de brainstorming egocêntrico, eis outra questão que me intriga: a tal da "exposição". Engraçado como as pessoas, principalmente com essa obsessão DOENTIA pelo "politicamente correto", entram nessas viagens de "você se expõe demais", "você é muito aberta", "você tem que TOMAR CUIDADO". Aliás, essa é dourada: o tal do TOMAR CUIDADO.
Sim, temos que tomar cuidado. Sim, auto-preservação (e que se foda se esse hífen caiu ou não, o blog é meu e eu violo as regras que eu quiser) é importante, mas isso precisa ser às custas da nossa identidade? É engraçado como todas as campanhas, slogans e propagandas de shampoo pregam a "autenticidade" quando, na verdade, é justamente essa autenticidade que é combatida todos os dias. É combatida quando não podemos falar "palavrões" (que ALGUÉM decidiu que são feios, portanto, todos devemos obedecer), quando não podemos CRITICAR a religião alheia (porque ALGUÉM decidiu que religião é tabu), ou até quando não podemos simplesmente falar "hey, gosto de você, vamos nos ver?" ou "super não rolou para mim, beijos".
E, nesse último caso, não é uma questão de "respeitar os sentimentos dos outros" (por mais que isso nos faça dormir melhor à noite), e sim uma questão de não querer se expor, se abrir, ou, DEUS ME LIVRE, demonstrar vulnerabilidade para outro ser humano. E daí surgem todos aqueles joguinhos ridículos que envolvem o começo de grande parte dos relacionamentos - obviamente fadados ao fracasso com esse início de manipulação e desonestidade.
Temos um horror total e absoluto à exposição, quase tanto quanto temos à irrelevância, e isso, para mim, é um dos aspectos mais torturantes da vida moderna. É um tal de "pesar as palavras" totalmente excruciante. Acho curiosíssimo como o mais liberal dos seres ainda olha para mim com aquela cara embasbacada quando eu falo a palavra "mijar" (e por que ela é pior que "urinar, mesmo?). E mais estranho ainda como, a essa altura do campeonato, alguns homens têm que usar ternos quentes no calor de 40 graus do Rio, e mulheres "poderosas" têm que andar para cima e para baixo com saltos gigantes nas pedras portuguesas do centro da cidade. E por que, mesmo? Porque ALGUÉM determinou que pessoas importantes se vestem assim. ALGUÉM determinou que advogados e executivos têm que usar ternos, por menos influente que seja uma MERDA de um terno na capacidade de alguém de defender um caso ou fechar um acordo multimilionário.
Vejo o mundo como uma grande e gorda melancia: por fora, é esférica e frondosa, mas por dentro é 90% água, 8% caroço e 2% de paradinha cor-de-rosa escrota para caralho pro negócio parecer mais convidativo.
P.S: aguardo o comentário do BABACA que vai falar que gosta de melancia, como se eu estivesse negando o gosto de alguém aqui.
Enfim, entendem meu ponto?
É tudo de uma hipocrisia tão gigantesca que me dói o estômago o pensamento de ter que ir lá fora e colocar minha carinha-de-pessoa-feliz e enfrentar o mundo dessa maneira. Sabe, às vezes não somos pessoas felizes. Às vezes somos pessoas tristes, ou amargas, ou angustiadas. Mas não podemos SONHAR em demonstrar isso. AI de você se chega no trabalho com cara de choro, bolsas embaixo dos olhos ou algum sinal de desânimo. Isso porque, por mais que as pessoas se mostrem compreensivas e calorosas, por dentro elas estão te achando fraca. Porque as pessoas, quando estão bem, não conseguem compreender plenamente quem está mal - por mais bem intencionadas que sejam. Pessoas tristes, abatidas, ou "problemáticas" são elos fracos. E talvez você cuide, converse ou simpatize com a causa de seu amiguinho de coração partido, mas, no fundinho do seu coração, você está achando ele um belíssimo pedaço de bosta cósmica. E isso é simplesmente perturbador.
Talvez por isso tantas pessoas procurem se expressar através de músicas, poesias, textos crípticos e prolixos . É como se as inversões gramaticais, floreios verbais e metáforas inventivas, de alguma maneira, "disfarçassem" sua vulnerabilidade. Aquilo ali não é você, aquilo ali é apenas um poeta, um músico, um escritor. Você é forte, claro que é. Seu eu-lírico que é fraco, tadinho! Tenham pena dele, não de você. CLARO que é ótimo se expressar artisticamente, claro que uma válvula criativa é algo no mínimo desejável. Mas por que essa seria a única maneira "socialmente aceitável" de demonstrar sua humanidade? Já diria REM: "everybody hurts, everybody cries". Se todos sabemos disso, por que continuamos a agir como se isso fosse imoral de alguma maneira?
Eu já tentei, mas não consigo ser essa pessoa "poética". Não consigo enfiar uma faca numa garrafa de coca zero e falar que aquilo ali expressa meu "eu-interior". Se eu quero expressar meu maldito eu-interior, eu falo: MEU EU-INTERIOR ESTÁ COMPLETAMENTE FODIDO. E por mais que eu tenha refletido bastante antes de fazer esse post, ou de me "expor" dessa maneira (até porque no maldito mundo do trabalho você não pode OUSAR falar o que você pensa nem mesmo no SEU msn, com amigos que VOCÊ selecionou), eu penso que vocês, que sempre acompanharam meu blog, apreciem pelo menos em alguma medida essa minha "abertura" total. Porque, com todos os meus defeitos (e eles são abundantes e profundos), eu não peço desculpas por mim mesma e defendo plenamente meu direito de ser tosca e irrelevante (e de criticar a irrelevância e tosqueira dos outros, óbvio).
Sabem, eu não sou idiota. Eu estou ciente de que as convenções sociais não mudarão de uma hora para outra. Sei muito bem que "vou apanhar muito na vida se continuar desse jeito", que "eu preciso me preservar porque hoje em dia os RHs de empresas investigam a merda do seu orkut e não te contratam se você 'odiar segundas-feiras'", ou que "eu posso assustar as pessoas com a minha personalidade". Aliás, acho até fofo que pessoas que se julgam muito compostas, maduras e intelectualmente superiores venham gentilmente oferecer esse tipo de "conselho", como se eu fosse algum tipo de débil mental simplesmente porque não ajo como uma "jovem mulher", composta, educada e sem pêlos de gato nas minhas calças jeans. Queridos, acreditem, eu ESTOU ciente.
Mas, na moral? Se eu não for escolhida para um emprego por causa das minhas comunidades no orkut, essa OBVIAMENTE não é uma empresa na qual eu queira trabalhar - até porque meus companheiros de trabalho provavelmente seriam "Sandy"s, "Kaká"s e "Grazi"s da vida. E quanto a assustar as pessoas... Ah, bem, isso significa apenas que as que ficarem por perto realmente valem a pena. E sim, talvez eu ainda passe por maus bocados nessa vida por ser dessa maneira. Mas pelo menos eu vou poder xingar os tais dos bocados sem medo de ser feliz.
Meu sonho é, um dia, conseguir ligar o "foda-se" total para o mundo. Enquanto isso, vou ligando-o esporadicamente e aturando eventuais crises de consciência e pensamentos de "putz, não acredito que falei isso". Porque, na boa? Os segundinhos de liberdade valem a pena.
Fica a dica ;D
Beijos
domingo, 29 de novembro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
The young and the restless
Sim, tenho que atualizar mais.
Agora que voltei a sair à noite, lembrei porque eu me recusava a fazê-lo pra início de conversa.
Para exemplificar, sigo a sugestão de Tom Leão, contando-os sobre minha última noite de domingo. Eis que vou parar num lugar chamado "2a2". O nome faz mais sentido colocado no contexto: trata-se de uma casa de suingue. Relaxem, amiguinhos, eu não fui fazer suingue. Por mais que trocar experiências sexuais com um analista de sistemas com problemas de calvície e sua mulher oxigenada que se recusa a acreditar que já passou dos 40 me pareça uma ideia MUITO especial, esse não é exatamente meu tipo de programa. Ocorre que a tal da "2a2" também funciona como boate, e, na ocasião, eu fui para a tal fox rocks. Observando a lista no orkut - maravilha da contemporaneidade: você pode ter uma ideia de quem vai aparecer num lugar porque todos irão pão-durar cinco reais colocando seus nomes em listas de desconto virtuais -, imaginei que fosse ser minimamente razoável.
Fui.
Se ao menos eu soubesse que as pessoas tendem a colocar o nome em TODAS as listas virtuais, mesmo quando não vão, teria me precavido. Já chegando na fila, o susto: o que todas essas pré-adolescentes de meia arrastão estão fazendo aqui? E com garrafas de cerveja? Nesse sentido, acho que é uma coisa meio da humanidade se chocar com os hábitos da geração imediatamente anterior. Eu, por exemplo, me choco com as menininhas de 11 anos com garrafas de cerveja, meias-arrastão e desembaraço sexual precoce. Mas enfim. Lá estavam todas elas, no auge de sua rebeldia e acne pré-adolescentes, reunidas.
Pensamento inicial: "puta merda, sou velha".
Pensamento subsequente: "puta merda, sou linda".
Novamente, entendam: eu não me acho uma pessoa bonita. Não falo isso com qualquer senso de falsa modéstia, ou procurando elogios (até porque não sei reagir a elogios, é tipo um defeito social ), é apenas uma constatação absolutamente sincera e sem recalque. Não sou nem nunca fui uma pessoa "bonita" no senso comum da palavra. Mas aí você vê que beleza é uma coisa relativa. E, relativamente falando, eu estava simplesmente um arraso. E, entre os caras de chapinha, os de regata e aqueles que, por algum motivo que me escapa COMPLETAMENTE, ainda usavam rabo-de-cavalo, não era difícil se sentir uma rainha.
Nota para os homens: RABO-DE-CAVALO É ERRADO. NENHUM HOMEM FICA BONITO DE RABO-DE-CAVALO. NENHUM. NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. Um homem pode ser bonito APESAR do rabo-de-cavalo mas nunca, NUNCA, POR CAUSA dele. E não se iluda achando que seu cabelo comprido e liso disfarça de alguma maneira sua feiura facial. Na verdade, só realça.
Enfim, lá estava eu, entre as pré-adolescentes embriagadas, os homens de rabo-de-cavalo e as gordinhas cujas pernas rolicinhas se projetavam para fora das meias-arrastão tal qual um presunto se projeta para fora da rede ao ser pendurado em um açougue - bem o tipo que curte caras de rabo-de-cavalo. E eu. Sozinha. SOZINHA. Sabem, em filmes de terror, em geral você não fica tão bolado quando a mocinha ainda tem seu parceiro/irmão/melhor amiga com ela. Você sabe que a situação ficou TENSA quando geral morre e ela tem que voltar sozinha na casa dos horrores e tirar a faca do estômago do irmão para garantir sua própria sobrevivência. EU ERA ESSA MOCINHA. A versão gordinha, estabanada e socialmente inapropriada dessa mocinha, claro. E os mutantes sanguinários do meu filme não queriam me matar, e sim SOCIALIZAR. Tipo MUITO PIOR. Porque pelo menos você está agindo em legítima defesa quando mata o mutante da serra elétrica. Como você vai justificar para o juiz o cara que "só queria ser seu amigo"?
Cara. Eu não sou uma pessoa tão escrota com os outros. Eu juro que super dialogo com as pessoas e dou "bom dia" e "boa tarde" e converso sobre o tempo e seguro a porta do elevador. Outro dia eu ajudei um ceguinho a atravessar a rua e o caralho. Mas para por aí, sabe? Eu não quero me estender em diálogos profundos com o senhor rabo-de-cavalo. Eu não quero saber se ele faz kung fu e acaba de trancar o quinto curso na UniverCidade. É isso que dá, não dá pra sorrir pros outros e tratar direito, ou a galera começa a achar que eu sou legal e aí eu tenho que fingir simpatia e interesse. E isso é simplesmente desgastante.
Mas enfim.
Não entrei na merda da boate, é ÓBVIO. Digo, se eu já quis me matar com aquela companhia em um lugar aberto, por que diabos eu iria me trancar numa CASA DE SUINGUE com pessoas de rabo-de-cavalo? E lá fomos nós achar outro lugar na cidade. Mas, com feriado na segunda, parece que todo o Rio de Janeiro decidiu que PRECISAVA sair. E é outra coisa do jovem, né? Tipo, "ter que sair". AI de você se COGITAR a ideia de pedir comida, alugar um filme e passar seu sábado assistindo filmes do Van Damme de roupão e coberta de farelos de chocookie. Correção: ai de você se cogitar fazer isso tudo SÓBRIO. Porque se você estiver chapado ou bêbado, o resto da juventude vai até achar legal.
Diálogo 1:
"Po, ontem fiquei em casa vendo filme sozinha a noite toda."
"Tadinha..."
Diálogo 2:
"Po, ontem fiquei em casa vendo filme sozinha a noite toda."
"Tadinha..."
"Po, eu tava chapadona."
"IRADO, por que não me chamou?"
Viram? Exemplo empírico. Isso é tipo retrato da juventude.
E enfim, cortando a história porque tava ficando longa, acabamos não entrando em lugar nenhum porque tava tudo lotado. E eu fiquei puta por não ter entrado. Sendo que eu nem queria entrar em lugar nenhum pra início de conversa. Esquisito, não? Por algum motivo bizarro, a ideia de me enfiar num ambiente fechado e barulhento com um monte de pessoas que eu não conheço (e de maneira geral não faço a mínima questão de conhecer) não me parece propriamente atraente, mas mesmo assim eu faço. Acho que é aquela coisa do homem de querer andar em bando, se "enturmar" e "estar perto de seus semelhantes". Mas é aí que eu começo a me preocupar: quem seriam os tais semelhantes?
Entre a galera da meia arrastão e o rabo de cavalo, os metidinhos com calças de couro falso dos anos 80, mullets e tatuagens de estrela nos ombros, as garotinhas do Leblon com seus vestidinhos-envelope da Cantão, sandálias-gladiador e marquinhas de biquini, e a galera da Lapa com suas saias no joelho, seios libertos e vinis dos Mutantes e do "Chico", eu fico com a nítida impressão de que devo ser um alienígena. Mas acho que alguns de nós simplesmente não foram feitos para "pertencer". E às vezes isso incomoda. Às vezes bate até uma certinha invejinha daquelas pessoas que têm álbuns como "ah, o verão!" no orkut e fotos de trenzinho com umas 40 garotas idênticas com apelidos monossilábicos. Às vezes, você só quer fazer parte de algo...
Mas às vezes você simplesmente acha essa galera toda muito escrota.
Agora que reflito sobre a questão, estou bem feliz com meu grupo de amigos inescrupulosos, politicamente incorretos e que também ADORAM sacanear a roupa dos outros e desrespeitar os gostos, crenças e defeitos de nascença alheios. Porque nós somos assim. Escrotos, intolerantes e ocasionalmente ofensivos. That's how we ROLL, bitch.
Oh, céus, será que isso significa que somos outro tipo de estereótipo adolescente? Será que o fato de de rejeitarmos totalmente o resto da juventude faz de nós típicos jovens?
Ah, bem, desde que não criemos mullets...
Agora que voltei a sair à noite, lembrei porque eu me recusava a fazê-lo pra início de conversa.
Para exemplificar, sigo a sugestão de Tom Leão, contando-os sobre minha última noite de domingo. Eis que vou parar num lugar chamado "2a2". O nome faz mais sentido colocado no contexto: trata-se de uma casa de suingue. Relaxem, amiguinhos, eu não fui fazer suingue. Por mais que trocar experiências sexuais com um analista de sistemas com problemas de calvície e sua mulher oxigenada que se recusa a acreditar que já passou dos 40 me pareça uma ideia MUITO especial, esse não é exatamente meu tipo de programa. Ocorre que a tal da "2a2" também funciona como boate, e, na ocasião, eu fui para a tal fox rocks. Observando a lista no orkut - maravilha da contemporaneidade: você pode ter uma ideia de quem vai aparecer num lugar porque todos irão pão-durar cinco reais colocando seus nomes em listas de desconto virtuais -, imaginei que fosse ser minimamente razoável.
Fui.
Se ao menos eu soubesse que as pessoas tendem a colocar o nome em TODAS as listas virtuais, mesmo quando não vão, teria me precavido. Já chegando na fila, o susto: o que todas essas pré-adolescentes de meia arrastão estão fazendo aqui? E com garrafas de cerveja? Nesse sentido, acho que é uma coisa meio da humanidade se chocar com os hábitos da geração imediatamente anterior. Eu, por exemplo, me choco com as menininhas de 11 anos com garrafas de cerveja, meias-arrastão e desembaraço sexual precoce. Mas enfim. Lá estavam todas elas, no auge de sua rebeldia e acne pré-adolescentes, reunidas.
Pensamento inicial: "puta merda, sou velha".
Pensamento subsequente: "puta merda, sou linda".
Novamente, entendam: eu não me acho uma pessoa bonita. Não falo isso com qualquer senso de falsa modéstia, ou procurando elogios (até porque não sei reagir a elogios, é tipo um defeito social ), é apenas uma constatação absolutamente sincera e sem recalque. Não sou nem nunca fui uma pessoa "bonita" no senso comum da palavra. Mas aí você vê que beleza é uma coisa relativa. E, relativamente falando, eu estava simplesmente um arraso. E, entre os caras de chapinha, os de regata e aqueles que, por algum motivo que me escapa COMPLETAMENTE, ainda usavam rabo-de-cavalo, não era difícil se sentir uma rainha.
Nota para os homens: RABO-DE-CAVALO É ERRADO. NENHUM HOMEM FICA BONITO DE RABO-DE-CAVALO. NENHUM. NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. Um homem pode ser bonito APESAR do rabo-de-cavalo mas nunca, NUNCA, POR CAUSA dele. E não se iluda achando que seu cabelo comprido e liso disfarça de alguma maneira sua feiura facial. Na verdade, só realça.
Enfim, lá estava eu, entre as pré-adolescentes embriagadas, os homens de rabo-de-cavalo e as gordinhas cujas pernas rolicinhas se projetavam para fora das meias-arrastão tal qual um presunto se projeta para fora da rede ao ser pendurado em um açougue - bem o tipo que curte caras de rabo-de-cavalo. E eu. Sozinha. SOZINHA. Sabem, em filmes de terror, em geral você não fica tão bolado quando a mocinha ainda tem seu parceiro/irmão/melhor amiga com ela. Você sabe que a situação ficou TENSA quando geral morre e ela tem que voltar sozinha na casa dos horrores e tirar a faca do estômago do irmão para garantir sua própria sobrevivência. EU ERA ESSA MOCINHA. A versão gordinha, estabanada e socialmente inapropriada dessa mocinha, claro. E os mutantes sanguinários do meu filme não queriam me matar, e sim SOCIALIZAR. Tipo MUITO PIOR. Porque pelo menos você está agindo em legítima defesa quando mata o mutante da serra elétrica. Como você vai justificar para o juiz o cara que "só queria ser seu amigo"?
Cara. Eu não sou uma pessoa tão escrota com os outros. Eu juro que super dialogo com as pessoas e dou "bom dia" e "boa tarde" e converso sobre o tempo e seguro a porta do elevador. Outro dia eu ajudei um ceguinho a atravessar a rua e o caralho. Mas para por aí, sabe? Eu não quero me estender em diálogos profundos com o senhor rabo-de-cavalo. Eu não quero saber se ele faz kung fu e acaba de trancar o quinto curso na UniverCidade. É isso que dá, não dá pra sorrir pros outros e tratar direito, ou a galera começa a achar que eu sou legal e aí eu tenho que fingir simpatia e interesse. E isso é simplesmente desgastante.
Mas enfim.
Não entrei na merda da boate, é ÓBVIO. Digo, se eu já quis me matar com aquela companhia em um lugar aberto, por que diabos eu iria me trancar numa CASA DE SUINGUE com pessoas de rabo-de-cavalo? E lá fomos nós achar outro lugar na cidade. Mas, com feriado na segunda, parece que todo o Rio de Janeiro decidiu que PRECISAVA sair. E é outra coisa do jovem, né? Tipo, "ter que sair". AI de você se COGITAR a ideia de pedir comida, alugar um filme e passar seu sábado assistindo filmes do Van Damme de roupão e coberta de farelos de chocookie. Correção: ai de você se cogitar fazer isso tudo SÓBRIO. Porque se você estiver chapado ou bêbado, o resto da juventude vai até achar legal.
Diálogo 1:
"Po, ontem fiquei em casa vendo filme sozinha a noite toda."
"Tadinha..."
Diálogo 2:
"Po, ontem fiquei em casa vendo filme sozinha a noite toda."
"Tadinha..."
"Po, eu tava chapadona."
"IRADO, por que não me chamou?"
Viram? Exemplo empírico. Isso é tipo retrato da juventude.
E enfim, cortando a história porque tava ficando longa, acabamos não entrando em lugar nenhum porque tava tudo lotado. E eu fiquei puta por não ter entrado. Sendo que eu nem queria entrar em lugar nenhum pra início de conversa. Esquisito, não? Por algum motivo bizarro, a ideia de me enfiar num ambiente fechado e barulhento com um monte de pessoas que eu não conheço (e de maneira geral não faço a mínima questão de conhecer) não me parece propriamente atraente, mas mesmo assim eu faço. Acho que é aquela coisa do homem de querer andar em bando, se "enturmar" e "estar perto de seus semelhantes". Mas é aí que eu começo a me preocupar: quem seriam os tais semelhantes?
Entre a galera da meia arrastão e o rabo de cavalo, os metidinhos com calças de couro falso dos anos 80, mullets e tatuagens de estrela nos ombros, as garotinhas do Leblon com seus vestidinhos-envelope da Cantão, sandálias-gladiador e marquinhas de biquini, e a galera da Lapa com suas saias no joelho, seios libertos e vinis dos Mutantes e do "Chico", eu fico com a nítida impressão de que devo ser um alienígena. Mas acho que alguns de nós simplesmente não foram feitos para "pertencer". E às vezes isso incomoda. Às vezes bate até uma certinha invejinha daquelas pessoas que têm álbuns como "ah, o verão!" no orkut e fotos de trenzinho com umas 40 garotas idênticas com apelidos monossilábicos. Às vezes, você só quer fazer parte de algo...
Mas às vezes você simplesmente acha essa galera toda muito escrota.
Agora que reflito sobre a questão, estou bem feliz com meu grupo de amigos inescrupulosos, politicamente incorretos e que também ADORAM sacanear a roupa dos outros e desrespeitar os gostos, crenças e defeitos de nascença alheios. Porque nós somos assim. Escrotos, intolerantes e ocasionalmente ofensivos. That's how we ROLL, bitch.
Oh, céus, será que isso significa que somos outro tipo de estereótipo adolescente? Será que o fato de de rejeitarmos totalmente o resto da juventude faz de nós típicos jovens?
Ah, bem, desde que não criemos mullets...
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Work experience: pagando para ser explorado
"O Work Experience USA® é um intercâmbio de trabalho indicado para estudantes que desejam ter uma experiência internacional de trabalho, praticar inglês e ganhar em dólar."
Sou só eu que acho que tem algo muito errado com essa frase?
A safadeza do povo norte-americano é diretamente proporcional à capacidade do brasileiro de ser otário.
Engraçado como os malditos americanos conseguem a esperteza de contratar adolescentes instruídos para limpar privadas, catar lixo e servir comida, ao mesmo tempo em que eles movimentam a economia dos próprios Estados Unidos com o dinheiro que ganharam contraindo fungos na virilha dentro de fantasias peludas. Jovens estes que, mesmo sendo expulsos do país sem dó nem piedade assim que perdem sua utilidade mercadológica, submetem-se aos mesmos esquemas humilhantes da embaixada norte-americana sucessivamente para poder repetir a "experiência" de exploração.
Sinceramente. Se tem uma coisa da qual o povo norte-americano não pode ser chamado, é de burro. Porque isso é simplesmente GENIAL. Por que se preocupar em dar uma educação de base meramente decente para seus jovens, se eles sempre terão jovens bem mais inteligentes, cultos e educados para fazer trabalhos braçais, enquanto seus jovens burros e atrofiados podem ficar em casa comendo frango frito e assistindo The Hills?
A genialidade do esquema é mais louvável ainda porque eles conseguiram esconder a exploração de tal maneira que as pessoas sentem que estão ganhando uma OPORTUNIDADE com a situação. Ou, e essa palavra é realmente especial, "currículo". Realmente, porque "limpar vômito de hambúrguer" e " tirar gelo de teleférico" são realmente habilidades indispensáveis para um futuro advogado. Aliás, é o momento de ouro de toda dinâmica de grupo quando aquela loirinha de mochila da Jamf comenta, com sutil desdém, sobre "como aperfeiçoou seu inglês" quando ficou de babá de algum bebê loirinho e racista em uma hilltown no meio do nada. Wow, hein. Palmas em slow motion pra você.
Meu problema não é a questão do subemprego. Eu não tenho absolutamente NADA contra subemprego. Acho que a pessoa tem que fazer o que a faz feliz, e, assim como alguns ficam felizes removendo apêndices supurados, outros são felizes repetindo mecanicamente "all the way to the left" para criancinhas apáticas em parques de diversão. Tanto que os maiores gênios da humanidade ou se mataram ou ficaram completamente dementes, enquanto milhões de eternos viradores-de-hambúrguer estão por aí curtindo suas vibes e fazendo sexo horrores. Cada pessoa acaba priorizando uma esfera da vida e, para muitos, a esfera profissional fica em segundo plano. Há quem queira uma carreira, há quem queira uma família, há quem queira dinheiro, há quem queira ser ex-BBB, há quem escute Mallu Magalhães. De fato, cada um entende sua felicidade melhor do que ninguém.
O que me incomoda, na realidade, é apenas a hipocrisia e esse falso senso de "chance única" que é colocada nessa situação. O jovem que ganha um "emprego" depois de passar por um processo longo - como se esse tipo de serviço exigisse uma mão-de-obra altamente qualificada - acaba se sentindo "privilegiado", como se estivesse sendo muitíssimo reconhecido por suas incríveis habilidades. Um reconhecimento pelo qual ele pagou bem caro, aliás.
Longe de mim dar lições de moral ou entrar no mérito da sociedade capitalista exploradora. Vocês sabem bem que eu bebo coca, escuto The Donnas e importo KitKats. Não tenho nada contra a adesão à cultura norte-americana, britânica, afegã, indiana ou o que quer que esteja na moda no momento. Mas eu fico bastante revoltada de ver pessoas estudiosas, inteligentes e muito mais qualificadas do que a grande maioria dos jovens da mesma idade de outras nacionalidades se prestando a esse tipo de papel sem nem parar pra pensar no seu verdadeiro valor. Acho que é importante que o brasileiro não aceite o olhar atravessado daquele burocrata de embaixada que se julga superior apenas por ter nascido em um lugar hierarquicamente superior. O problema não é fazer as coisas, e sim fazê-las sem parar pra pensar no que elas representam.
De fato, o pior cego é aquele que não quer ver. Tá na hora de tirar a venda.
Sou só eu que acho que tem algo muito errado com essa frase?
A safadeza do povo norte-americano é diretamente proporcional à capacidade do brasileiro de ser otário.
Engraçado como os malditos americanos conseguem a esperteza de contratar adolescentes instruídos para limpar privadas, catar lixo e servir comida, ao mesmo tempo em que eles movimentam a economia dos próprios Estados Unidos com o dinheiro que ganharam contraindo fungos na virilha dentro de fantasias peludas. Jovens estes que, mesmo sendo expulsos do país sem dó nem piedade assim que perdem sua utilidade mercadológica, submetem-se aos mesmos esquemas humilhantes da embaixada norte-americana sucessivamente para poder repetir a "experiência" de exploração.
Sinceramente. Se tem uma coisa da qual o povo norte-americano não pode ser chamado, é de burro. Porque isso é simplesmente GENIAL. Por que se preocupar em dar uma educação de base meramente decente para seus jovens, se eles sempre terão jovens bem mais inteligentes, cultos e educados para fazer trabalhos braçais, enquanto seus jovens burros e atrofiados podem ficar em casa comendo frango frito e assistindo The Hills?
A genialidade do esquema é mais louvável ainda porque eles conseguiram esconder a exploração de tal maneira que as pessoas sentem que estão ganhando uma OPORTUNIDADE com a situação. Ou, e essa palavra é realmente especial, "currículo". Realmente, porque "limpar vômito de hambúrguer" e " tirar gelo de teleférico" são realmente habilidades indispensáveis para um futuro advogado. Aliás, é o momento de ouro de toda dinâmica de grupo quando aquela loirinha de mochila da Jamf comenta, com sutil desdém, sobre "como aperfeiçoou seu inglês" quando ficou de babá de algum bebê loirinho e racista em uma hilltown no meio do nada. Wow, hein. Palmas em slow motion pra você.
Meu problema não é a questão do subemprego. Eu não tenho absolutamente NADA contra subemprego. Acho que a pessoa tem que fazer o que a faz feliz, e, assim como alguns ficam felizes removendo apêndices supurados, outros são felizes repetindo mecanicamente "all the way to the left" para criancinhas apáticas em parques de diversão. Tanto que os maiores gênios da humanidade ou se mataram ou ficaram completamente dementes, enquanto milhões de eternos viradores-de-hambúrguer estão por aí curtindo suas vibes e fazendo sexo horrores. Cada pessoa acaba priorizando uma esfera da vida e, para muitos, a esfera profissional fica em segundo plano. Há quem queira uma carreira, há quem queira uma família, há quem queira dinheiro, há quem queira ser ex-BBB, há quem escute Mallu Magalhães. De fato, cada um entende sua felicidade melhor do que ninguém.
O que me incomoda, na realidade, é apenas a hipocrisia e esse falso senso de "chance única" que é colocada nessa situação. O jovem que ganha um "emprego" depois de passar por um processo longo - como se esse tipo de serviço exigisse uma mão-de-obra altamente qualificada - acaba se sentindo "privilegiado", como se estivesse sendo muitíssimo reconhecido por suas incríveis habilidades. Um reconhecimento pelo qual ele pagou bem caro, aliás.
Longe de mim dar lições de moral ou entrar no mérito da sociedade capitalista exploradora. Vocês sabem bem que eu bebo coca, escuto The Donnas e importo KitKats. Não tenho nada contra a adesão à cultura norte-americana, britânica, afegã, indiana ou o que quer que esteja na moda no momento. Mas eu fico bastante revoltada de ver pessoas estudiosas, inteligentes e muito mais qualificadas do que a grande maioria dos jovens da mesma idade de outras nacionalidades se prestando a esse tipo de papel sem nem parar pra pensar no seu verdadeiro valor. Acho que é importante que o brasileiro não aceite o olhar atravessado daquele burocrata de embaixada que se julga superior apenas por ter nascido em um lugar hierarquicamente superior. O problema não é fazer as coisas, e sim fazê-las sem parar pra pensar no que elas representam.
De fato, o pior cego é aquele que não quer ver. Tá na hora de tirar a venda.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Bem-vindo ao mundo real: é uma droga, você vai adorar!
Descobri que não atualizo nunca porque me sinto na obrigação de escrever verdadeiros testamentos e eu não tenho mais tempo para isso. Então, vocês terão que se contentar com textos mais curtos, estúpidos (sim, é possível), ou desconexos. É isso aí.
Aliás, não tenho mais tempo nem para escovar os dentes.
De verdade. No trabalho, domingo, almocei e só fui escovar de noite. Meio nojento, eu sei, mas estava sozinha, várias coisas aconteciam no mundo e minha higiene pessoal ficou em segundo plano por alguns segundos. Na real, vou confessar a vocês que acho meio engraçado essas pessoas que levam escova de dentes para a faculdade ou ocasiões sociais. Eu nunca faço isso. Quando muito, mastigo um trident. Meio feio admitir isso, mas fazer o quê? Não sou uma pessoa menos limpinha e cheirosa por isso.
Pelo menos eu lavo meu cabelo sempre, enquanto várias mulheres passam semanas sem lavar em uma tentativa infrutífera de manter o aspecto liso. O que também é bem engraçado, porque lá para o terceiro dia começa a se formar um capacete oleoso e visivelmente imundo, mas rola um pensamento de "Ah, antes sujinho do que frisado".NÃO. Pelo convívio que tenho com homens, posso GARANTIR que eles preferem pegar uma mulher CARECA do que um que cheira a coalhada com limão. Fica a dica.
P.S para o "mondo bizarro" do dia: MACAULY CAULKIN PODE SER PAI DOS FILHOS DE MICHAEL JACKSON. Eu acho que não fica muito mais esquisito que isso. Talvez se anunciassem que a Rosie O' Donnel é a mãe - situação hipotética, já que todos sabemos que ela devora sua cria. Junto com a placenta. Como um canídeo. Ou o Tom Cruise. Mas sério, contemos todos os elementos bizarros dessa situação toda: Michael Jackson + sêmen + Macauly Caulkin + Liza Minelli = PARENTING FAIL. Se a natureza fosse realmente perfeita, existiria algum tipo de mecanismo contra esse tipo de embróglio. E, a não ser que a seleção natural queria nos levar por um caminho bastante insólito, essa é a hora em que Darwin diria "Mal aí, galera. Me enganei. A porra toda não faz sentido nenhum, mesmo!". Queria ter um botão de "FF" (fast forward, não follow friday, seus monte de junkie virtual), porque já sei que algo excepcional vai sair dali. Com sorte, teremos a cura para o resfriado. Ou o futuro algoz da humanidade.
De qualquer maneira, estarei satisfeita.
Chato isso de não poder escrever muito, mas o fato é que estou sem tempo para nada.
Mentira. Tenho tempo para várias coisas. Menos as que me fazem feliz.
Já tinha saído do muay thai, agora tive que sair do jiu-jitsu e provavelmente terei que abrir mão de caprichos como coca light e oxigênio em breve.
Não escrevo mais no blog, porque estou ocupada escrevendo coisas excruciantemente relevantes para a sociedade.
Não socializo mais à noite, porque depois das 22 eu só quero saber de botar meu pezinho para o alto e aproveitar o delicioso abraço do meu edredom listrado.
Não vejo mais TV, porque os televisores parecem emitir vibrações mágicas que me fazem dormir instantaneamente.
Não converso mais com meus amigos, porque não quero submetê-los ao ser humano deprimente que tenho sido nos últimos tempos.
Quando sou obrigada a conversar, só sei falar do meu estágio e não consigo sequer fingir interesse sobre o que os outros têm a dizer.
Sonho que fiz merda, acordo sobressaltada e passo o dia com a impressão de que estou perdendo alguma coisa muito importante.
Estou com o celular na mão o tempo todo, para o caso do meu chefe precisar de mim (o que nunca aconteceu, aliás).
Não tenho energia para elaborar comentários engraçadinhos a respeito das situações. Várias vezes, até tenho eles na cabeça, mas falar dá tanto trabalho que eu prefiro deixar para lá e me contentar com uma risadinha besta e não-sagaz.
Sei o que significam nomes como Palocci, Minc, Dilma, Lina, Lobão (não o desequilibrado, sujo e interessante) e Haddad. E até menciono eles como tópicos aceitáveis de conversa durante o jantar.
Estou raivosa, irritadiça e mal humorada 90% do tempo. (OK, bem, talvez nesse último sentido eu não tenha mudado taaanto)
Escrevo posts sóbrios e ridículos (como esse) no meu blog sem me tocar do quão desinteressante e babaca estou soando.
Enfim, conseguiram me domar. Acho que crescer é isso, né?! Abrir mão de tudo que me faz feliz, abafar todos os meus traços de personalidade e ainda agir como se fosse uma pessoa mais "madura" e "bem resolvida" por isso. Então era ISSO que todos da ECO estavam fazendo desde o primeiro período.
E eu achando que EU era a problemática...
Não quero mais ff, quero rewind. Dá tempo?
Aliás, não tenho mais tempo nem para escovar os dentes.
De verdade. No trabalho, domingo, almocei e só fui escovar de noite. Meio nojento, eu sei, mas estava sozinha, várias coisas aconteciam no mundo e minha higiene pessoal ficou em segundo plano por alguns segundos. Na real, vou confessar a vocês que acho meio engraçado essas pessoas que levam escova de dentes para a faculdade ou ocasiões sociais. Eu nunca faço isso. Quando muito, mastigo um trident. Meio feio admitir isso, mas fazer o quê? Não sou uma pessoa menos limpinha e cheirosa por isso.
Pelo menos eu lavo meu cabelo sempre, enquanto várias mulheres passam semanas sem lavar em uma tentativa infrutífera de manter o aspecto liso. O que também é bem engraçado, porque lá para o terceiro dia começa a se formar um capacete oleoso e visivelmente imundo, mas rola um pensamento de "Ah, antes sujinho do que frisado".NÃO. Pelo convívio que tenho com homens, posso GARANTIR que eles preferem pegar uma mulher CARECA do que um que cheira a coalhada com limão. Fica a dica.
P.S para o "mondo bizarro" do dia: MACAULY CAULKIN PODE SER PAI DOS FILHOS DE MICHAEL JACKSON. Eu acho que não fica muito mais esquisito que isso. Talvez se anunciassem que a Rosie O' Donnel é a mãe - situação hipotética, já que todos sabemos que ela devora sua cria. Junto com a placenta. Como um canídeo. Ou o Tom Cruise. Mas sério, contemos todos os elementos bizarros dessa situação toda: Michael Jackson + sêmen + Macauly Caulkin + Liza Minelli = PARENTING FAIL. Se a natureza fosse realmente perfeita, existiria algum tipo de mecanismo contra esse tipo de embróglio. E, a não ser que a seleção natural queria nos levar por um caminho bastante insólito, essa é a hora em que Darwin diria "Mal aí, galera. Me enganei. A porra toda não faz sentido nenhum, mesmo!". Queria ter um botão de "FF" (fast forward, não follow friday, seus monte de junkie virtual), porque já sei que algo excepcional vai sair dali. Com sorte, teremos a cura para o resfriado. Ou o futuro algoz da humanidade.
De qualquer maneira, estarei satisfeita.
Chato isso de não poder escrever muito, mas o fato é que estou sem tempo para nada.
Mentira. Tenho tempo para várias coisas. Menos as que me fazem feliz.
Já tinha saído do muay thai, agora tive que sair do jiu-jitsu e provavelmente terei que abrir mão de caprichos como coca light e oxigênio em breve.
Não escrevo mais no blog, porque estou ocupada escrevendo coisas excruciantemente relevantes para a sociedade.
Não socializo mais à noite, porque depois das 22 eu só quero saber de botar meu pezinho para o alto e aproveitar o delicioso abraço do meu edredom listrado.
Não vejo mais TV, porque os televisores parecem emitir vibrações mágicas que me fazem dormir instantaneamente.
Não converso mais com meus amigos, porque não quero submetê-los ao ser humano deprimente que tenho sido nos últimos tempos.
Quando sou obrigada a conversar, só sei falar do meu estágio e não consigo sequer fingir interesse sobre o que os outros têm a dizer.
Sonho que fiz merda, acordo sobressaltada e passo o dia com a impressão de que estou perdendo alguma coisa muito importante.
Estou com o celular na mão o tempo todo, para o caso do meu chefe precisar de mim (o que nunca aconteceu, aliás).
Não tenho energia para elaborar comentários engraçadinhos a respeito das situações. Várias vezes, até tenho eles na cabeça, mas falar dá tanto trabalho que eu prefiro deixar para lá e me contentar com uma risadinha besta e não-sagaz.
Sei o que significam nomes como Palocci, Minc, Dilma, Lina, Lobão (não o desequilibrado, sujo e interessante) e Haddad. E até menciono eles como tópicos aceitáveis de conversa durante o jantar.
Estou raivosa, irritadiça e mal humorada 90% do tempo. (OK, bem, talvez nesse último sentido eu não tenha mudado taaanto)
Escrevo posts sóbrios e ridículos (como esse) no meu blog sem me tocar do quão desinteressante e babaca estou soando.
Enfim, conseguiram me domar. Acho que crescer é isso, né?! Abrir mão de tudo que me faz feliz, abafar todos os meus traços de personalidade e ainda agir como se fosse uma pessoa mais "madura" e "bem resolvida" por isso. Então era ISSO que todos da ECO estavam fazendo desde o primeiro período.
E eu achando que EU era a problemática...
Não quero mais ff, quero rewind. Dá tempo?
domingo, 23 de agosto de 2009
Você é o que sobra quando se elimina todo o resto.
WARNING: esse post pode te ofender. Se você não tem senso de humor, recomendo que dê preferência para leituras mais leves e inofensivas. Recomendo a série do "Sítio do Picapau Amarelo" ou o blog da Cláudia Leite.
Lembram meu último post, que indicava uma fase mais otimista e positiva da minha vida? Pois é. Passou. A verdade é que eu não faço a mínima idéia do que quero fazer da minha vida. Mas a boa notícia é que, a cada novo dia, eu percebo mais alguma coisa que eu NÃO quero para ela. Além de algumas restrições habituais, como engenheira, garçonete, juíza de futebol, torcedora do fluminense e gorda, agora já sei que não quero ser âncora de televisão, assessora de imprensa ou vegan. Alguns podem ver isso como um certo preconceito da minha parte, mas eu gosto de pensar que se trata de um processo de seleção natural da vida do ser humano. Digo, por mais que pessoas ensolaradas e sorridentes gostem de afirmar que "cada dia oferece novas possibilidades", eu acho que é bem o contrário. A cada dia, nós fechamos mais uma possibilidade. E isso não necessariamente é algo negativo. Fazendo uma analogia a Shrek, gosto de ver a minha vida como uma cebola. A cada dia, retiro novas camadas. No final, posso chegar à minha essência =)
Ou posso tirar tudo que há de gostoso e ficar com um resto orgânico de comida podre, malcheirosa e completamente inútil. Diria que há uma chance de 50%. I'll take my chances.
Enfim, no quesito "o que NÃO quero fazer", digo que não serei assessora de imprensa simplesmente porque não quero ser pela-saco profissional. Sim, trata-se de um pela-saco com um bom salário, horas fixas e uma vida relativamente confortável. Mas, se é para ganhar muito dinheiro ficando de quatro - perdoem-me pelo termo chulo - eu consigo pensar em uma outra profissão que, gerenciada corretamente, pode dar bem mais dinheiro, além de permitir que você faça seus próprios horários e use roupas casuais para trabalhar. Sem contar que, muitas vezes, a profissão mais antiga do mundo pode prejudicar bem menos a dignidade do ser humano. E você ainda tem mais chances de publicar um livro (vide Bruna Surfistinha). Não que toooooodos os assessores sejam pela-sacos, claro. Até porque vários jornalistas de redação são verdadeiras vadias também. Então, possível assessor de imprensa visitando esse blog, eu não estou dizendo que você é necessariamente um vendido sem escrúpulos que faz tudo por dinheiro. Eu não estou falando que você, especificamente, é uma pessoa ruim.
Mas se a carapuça serviu...
E quanto a ser vegan... Cara. Sinceramente. Veganismo é uma das "filosofias" ou "estilo" ou "seiláoque" de vida mais irritantes ever. Para quem não sabe, vegan é uma pessoa que não consome qualquer tipo de produto animal. Sim, isso mesmo que você está pensando: os vegans são os primos (mais) chatos dos vegetarianos. Já sei que vou ofender um vegan. Tô sentindo no meu ser. Mas tudo bem porque, da última vez que chequei, nenhum dos meus familiares havia virado vegan, então acho que pelo menos estou a salvo de um linchamento em Brasília. Voltando ao assunto: vegans. Convenhamos, quem NUNCA se irritou ao sair para comer com um vegetariano? Alguns são totalmente inofensivos: pedem um prato sem carne e são capazes de curtir a vibe de um almoço com nós, reles mortais canibais, sem transformar a refeição em uma interminável palestra.
Porém, na maioria das vezes, aqueles olhares herbívoros que praticamente gritam "ASSASSINO SANGUINÁRIO" te impedem de curtir a sua picanha com a total satisfação que ela merece. Se o bichinho morreu para estar no seu prato, o mínimo que você pode fazer por ele é honrar sua deliciosa memória e aproveitar ao máximo os pedaços macios de seu antigo ser. Aposto que a senhora vaquinha ficaria radiante de saber que não morreu em vão. Mas, mesmo com todas as chateações, acho que conseguimos nos acostumar aos vegetarianos. Eu, por exemplo, já cogitei essa possibilidade, uma vez que carne vermelha deixa o ser humano mais gordo. Não comer carne é compreensível. Sentir pena de bois, vaquinhas e porquinhos é compreensível. O que NÃO é compreensível é a pessoa não fornecer proteína animal para seus filhos, que provavelmente vão crescer doentes e anêmicos. O que não é compreensível é você renegar TOTALMENTE a natureza onívora do ser humano para parecer mais descolado. O que é menos compreensível ainda é não comer mel porque está, and I quote, "explorando o trabalho das abelhinhas".
Eu não estou de brinks. Essa é realmente uma das razões para não se consumir mel. Sabe, quando as abelhas te picam, elas não estão exatamente te amando com seus ferrões. E, ao contrário de você, que CURTE o mel, elas nem ganham NADA com isso. Pelo contrário: elas morrem depois. Na real, abelhas te picam pelo simples prazer de te sacanear. É o ciclo da vida, acostume-se!
Agora, antes que eu seja massacrada/perseguida com tochas/tida pela religião moderna como o anticristo, não é que eu não goste de vegans. Conheci pessoas vegans tipo BEM legais. Mas isso não significa que não sejam irritantes. E aí está um equívoco comum: as pessoas acham que uma pessoa não pode ser boa e irritante ao mesmo tempo, por exemplo. Quando eu falo "Fulaninha me irrita", não raro escuto um "mas ela é tão simpática...". E? A simpatia dela não anula sua capacidade de ser irritante. Aliás, muitas vezes contribui. As pessoas mais simpáticas são, muitas vezes, as mais propensas a te atacarem durante seu sono com uma chave-de-fenda. Da mesma maneira, se você vira e comenta "nossa, mas fulaninha de tal está simplesmente OBESA", uma resposta como "Ah, mas sabia que ela é muito inteligente" é completamente descabida. Porque quando eu chamo uma pessoa de obesa, eu não estou desqualificando seu Q.I ou seu valor como ser humano! Acho que esse é um esclarecimento muito válido, que poderá me poupar muitos mal entendidos no futuro.
De qualquer maneira... Acho que o mais irritante de qualquer um que segue determinados estilos de vida é a tentativa constante de conversão. Quando a frase começa com "Não quero converter ninguém, mas...", prepare-se para um discurso de horas sobre os malefícios da carne vermelha, sobre como até formigas contêm vibes positivas que se transformam em carma negativo quando você as mata, ou como você vai arder no inferno por não seguir os ensinamentos de Jesus. Tipo "respeito suas crenças, mas espero que você saiba que, quando o apocalipse chegar, você está simplesmente fodido".
Novamente, provavelmente ALGUÉM vai ficar bolado comigo. Mas eu sempre parto do pressuposto de que quem quer que esteja lendo isso aqui tenha senso de humor o suficiente para separar ofensas gratuitas de tentativas de humor politicamente incorreto. Agora, se você é assessor de imprensa, vegan e torcedor do fluminense, acho que você tem problemas bem mais graves na sua vida do que meu blog.
Lembram meu último post, que indicava uma fase mais otimista e positiva da minha vida? Pois é. Passou. A verdade é que eu não faço a mínima idéia do que quero fazer da minha vida. Mas a boa notícia é que, a cada novo dia, eu percebo mais alguma coisa que eu NÃO quero para ela. Além de algumas restrições habituais, como engenheira, garçonete, juíza de futebol, torcedora do fluminense e gorda, agora já sei que não quero ser âncora de televisão, assessora de imprensa ou vegan. Alguns podem ver isso como um certo preconceito da minha parte, mas eu gosto de pensar que se trata de um processo de seleção natural da vida do ser humano. Digo, por mais que pessoas ensolaradas e sorridentes gostem de afirmar que "cada dia oferece novas possibilidades", eu acho que é bem o contrário. A cada dia, nós fechamos mais uma possibilidade. E isso não necessariamente é algo negativo. Fazendo uma analogia a Shrek, gosto de ver a minha vida como uma cebola. A cada dia, retiro novas camadas. No final, posso chegar à minha essência =)
Ou posso tirar tudo que há de gostoso e ficar com um resto orgânico de comida podre, malcheirosa e completamente inútil. Diria que há uma chance de 50%. I'll take my chances.
Enfim, no quesito "o que NÃO quero fazer", digo que não serei assessora de imprensa simplesmente porque não quero ser pela-saco profissional. Sim, trata-se de um pela-saco com um bom salário, horas fixas e uma vida relativamente confortável. Mas, se é para ganhar muito dinheiro ficando de quatro - perdoem-me pelo termo chulo - eu consigo pensar em uma outra profissão que, gerenciada corretamente, pode dar bem mais dinheiro, além de permitir que você faça seus próprios horários e use roupas casuais para trabalhar. Sem contar que, muitas vezes, a profissão mais antiga do mundo pode prejudicar bem menos a dignidade do ser humano. E você ainda tem mais chances de publicar um livro (vide Bruna Surfistinha). Não que toooooodos os assessores sejam pela-sacos, claro. Até porque vários jornalistas de redação são verdadeiras vadias também. Então, possível assessor de imprensa visitando esse blog, eu não estou dizendo que você é necessariamente um vendido sem escrúpulos que faz tudo por dinheiro. Eu não estou falando que você, especificamente, é uma pessoa ruim.
Mas se a carapuça serviu...
E quanto a ser vegan... Cara. Sinceramente. Veganismo é uma das "filosofias" ou "estilo" ou "seiláoque" de vida mais irritantes ever. Para quem não sabe, vegan é uma pessoa que não consome qualquer tipo de produto animal. Sim, isso mesmo que você está pensando: os vegans são os primos (mais) chatos dos vegetarianos. Já sei que vou ofender um vegan. Tô sentindo no meu ser. Mas tudo bem porque, da última vez que chequei, nenhum dos meus familiares havia virado vegan, então acho que pelo menos estou a salvo de um linchamento em Brasília. Voltando ao assunto: vegans. Convenhamos, quem NUNCA se irritou ao sair para comer com um vegetariano? Alguns são totalmente inofensivos: pedem um prato sem carne e são capazes de curtir a vibe de um almoço com nós, reles mortais canibais, sem transformar a refeição em uma interminável palestra.
Porém, na maioria das vezes, aqueles olhares herbívoros que praticamente gritam "ASSASSINO SANGUINÁRIO" te impedem de curtir a sua picanha com a total satisfação que ela merece. Se o bichinho morreu para estar no seu prato, o mínimo que você pode fazer por ele é honrar sua deliciosa memória e aproveitar ao máximo os pedaços macios de seu antigo ser. Aposto que a senhora vaquinha ficaria radiante de saber que não morreu em vão. Mas, mesmo com todas as chateações, acho que conseguimos nos acostumar aos vegetarianos. Eu, por exemplo, já cogitei essa possibilidade, uma vez que carne vermelha deixa o ser humano mais gordo. Não comer carne é compreensível. Sentir pena de bois, vaquinhas e porquinhos é compreensível. O que NÃO é compreensível é a pessoa não fornecer proteína animal para seus filhos, que provavelmente vão crescer doentes e anêmicos. O que não é compreensível é você renegar TOTALMENTE a natureza onívora do ser humano para parecer mais descolado. O que é menos compreensível ainda é não comer mel porque está, and I quote, "explorando o trabalho das abelhinhas".
Eu não estou de brinks. Essa é realmente uma das razões para não se consumir mel. Sabe, quando as abelhas te picam, elas não estão exatamente te amando com seus ferrões. E, ao contrário de você, que CURTE o mel, elas nem ganham NADA com isso. Pelo contrário: elas morrem depois. Na real, abelhas te picam pelo simples prazer de te sacanear. É o ciclo da vida, acostume-se!
Agora, antes que eu seja massacrada/perseguida com tochas/tida pela religião moderna como o anticristo, não é que eu não goste de vegans. Conheci pessoas vegans tipo BEM legais. Mas isso não significa que não sejam irritantes. E aí está um equívoco comum: as pessoas acham que uma pessoa não pode ser boa e irritante ao mesmo tempo, por exemplo. Quando eu falo "Fulaninha me irrita", não raro escuto um "mas ela é tão simpática...". E? A simpatia dela não anula sua capacidade de ser irritante. Aliás, muitas vezes contribui. As pessoas mais simpáticas são, muitas vezes, as mais propensas a te atacarem durante seu sono com uma chave-de-fenda. Da mesma maneira, se você vira e comenta "nossa, mas fulaninha de tal está simplesmente OBESA", uma resposta como "Ah, mas sabia que ela é muito inteligente" é completamente descabida. Porque quando eu chamo uma pessoa de obesa, eu não estou desqualificando seu Q.I ou seu valor como ser humano! Acho que esse é um esclarecimento muito válido, que poderá me poupar muitos mal entendidos no futuro.
De qualquer maneira... Acho que o mais irritante de qualquer um que segue determinados estilos de vida é a tentativa constante de conversão. Quando a frase começa com "Não quero converter ninguém, mas...", prepare-se para um discurso de horas sobre os malefícios da carne vermelha, sobre como até formigas contêm vibes positivas que se transformam em carma negativo quando você as mata, ou como você vai arder no inferno por não seguir os ensinamentos de Jesus. Tipo "respeito suas crenças, mas espero que você saiba que, quando o apocalipse chegar, você está simplesmente fodido".
Novamente, provavelmente ALGUÉM vai ficar bolado comigo. Mas eu sempre parto do pressuposto de que quem quer que esteja lendo isso aqui tenha senso de humor o suficiente para separar ofensas gratuitas de tentativas de humor politicamente incorreto. Agora, se você é assessor de imprensa, vegan e torcedor do fluminense, acho que você tem problemas bem mais graves na sua vida do que meu blog.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Fernanda in the middle.
Sim, sei que fui relapsa. Estou com bloqueio criativo ultimamente. E aprendi uma lição valiosa: quando você passa seis horas do seu dia em frente a um computador, a perspectiva de voltar para casa e olhar mais um pouquinho para um monitor é tão animadora quanto passar horas encarando comida girando no microondas. Ou ouvindo Nana Caymmi. Eu já imaginava que o mundo dos adultos era desagradável mas, agora que estou um pouquinho mais dentro dele - consideremos que ainda não pago minhas contas, divido um quarto com a minha irmã e ainda não aprendi a dobrar minhas roupas em vez de enrolá-las num bolinho e enfiar naquele buraco assustador que eu chamo de armário -, tenho absoluta certeza de que não é a boa.
Primeiro: trabalhar CANSA. Eu não sabia disso. Eu achei que fosse uma daquelas coisas que adultos inventassem para não ter que fazer nada. Quem nunca ouviu um "ah, por favor, estou exausta, trabalhei o dia inteiro!" da mãe? Quando eu era criança, era muito efetivo, eu chegava até a simpatizar com a causa, fazia cartinha de "mamãe, fique bem" e o cacete.. Mas então eu cresci. E comecei a achar aquilo tudo um papo furado sem fim. Até porque, enquanto ela ficava deitada vendo "Detetives Médicos", eu estava lá fazendo dever-de-casa/estudando/neurotizando a respeito da próxima prova de física. E isso me bolava. O quão exaustiva pode ser uma tarefa que nem exige dever de casa? Como eu pude descobrir: muito. Não sei COMO, ou PORQUE, mas eu estou constantemente exausta. É intrigante. Eu acho que é ser adulto. Tipo, adultos vivem cansados, essa é tipo a "thing" deles. Agora eu entendo porque meus pais sempre estavam muito "cansados" para jogar comigo. Ou me ajudar com meu dever de casa. Ou me levar para a praia em dias de semana. Ou me dar carinho e afeição.
Brinks. Eu tive bastante carinho e afeição. Realmente não sei porque eu fiquei desse jeito. Acho que pode ter tido algo a ver com uma infância baseada em sorvete napolitano, croissants e "A vaca e o frango". Isso não pode fazer bem para um ser humano.
Outro aspecto desagradável da vida adulta são bancos. Eu abri uma conta porque, bem, é isso que adultos têm que fazer, né? É tipo um rito de passagem, que nem tirar carteira, ou entrar para a faculdade, usar sapatos da linha comfort da Mister Cat ou assistir corrida de fórmula 1 sem querer cortar os pulsos. Enfim, lá fui eu, e, cara, é CHATÃO ficar esperando naqueles banquinhos assépticos. Aliás, alguém deveria fazer algo a respeito de bancos, eles são ambientes muito pouco convidativos. Dá uma sensação esquisita, você não sabe se está esperando para abrir uma conta ou retirar um ovário defeituoso. Enfim, abri, ganhei um cartão e assinei meu nome em várias paradas, o que me fez me sentir bem importante. Também aprendi uma lição da vida adulta: passar o seu cartão é bem mais desagradável que passar o da sua mãe. Tipo, o dinheiro sai da SUA conta. Tira totalmente a diversão de gastar. Péssimo. Pretendo não repetir a experiência tão cedo! Só tenho que descobrir uma maneira de viver passando um cartão que não é meu para sempre. Não deve ser tão difícil, eu pensarei em alguma coisa.
Se eu conseguir voltar a pensar, claro. Porque pensar está me cansando. Televisão está me cansando. Filmes estão me cansando. Livros estão me cansando. Pessoas estão me cansando. Novamente: eu começo a entender porque tantos adultos não têm assunto e só sabem falar de filhos e bebês e novela. Porque eles estão muito cansados para se dedicar a tarefas que realmente utilizam um mínimo de criatividade. Isso me deixa triste. A última coisa que eu quero da minha vida é virar uma pessoa que se acha muito descolada usando termos como "dalit" (ou "Inxalá", ou qualquer outro termo cultural que a Globo esteja brutalizando no momento), ou que realmente acha o alastramento da gripe suína um tópico aceitável para conversas. Ou uma daquelas mulheress que dirigem Ecosports, fazem pilates e compram DVDs do "Toma lá dá cá" para entreter os convidados. Imaginem só. Tenho que perguntar a fórmula do Tom e da Cynthia para a juventude psicológica eterna, ou estou condenada.
I mean, menos de três semanas e eu já estou virando daquelas pessoas que falam "Po, meu chefe falou tal coisa", ou "Cara, você não sabe o que aconteceu no trabalho hoje!". E isso é simplesmente patético. Odeio estagiário que fica falando que vai pro "trabalho". Se achando. Acho que fazer estágio cria um efeito psicológico na pessoa, e ela fica convencidíssima de que é uma peça simplesmente essencial no mecanismo da organização. É uma coisa ridícula. Dá vontade de dar unfollow em todos os estagiários do twitter. Eles conseguem ser mais chatos e monótonos do que vestibulandos. Mas eu não dou, porque sou uma pessoa educada e ainda finjo me importar com os outros porque posso precisar deles no futuro. E porque eu já sei que meu futuro como velha doida da montanha é inevitável, então não custa nada adiar por mais uns anos.
Acho que uma das piores coisas é que as pessoas parecem esperar um certo tipo de compostura que é simplesmente incompatível com a minha pessoa. Foi realmente um momento de ouro quando meu chefe percebeu e comentou o estado lastimável das minhas unhas. Claro que minhas unhas estavam horríveis, elas não viam uma manicure desde que as roupinhas da Mariah Carey ainda eram adequadas para sua idade. Mas digo.. São UNHAS, sabe. É assustador pensar que agora eu tenho que me preocupar com pedacinhos tão insignificantes do meu corpo. E me submeter a salões de beleza que, devo dizer, são um espetáculo à parte. E eu digo espetáculo não no sentido "lindos golfinhos dançando e fazendo barulhinhos meigos", e sim no sentido "mulher barbada, anões de circo e a Gretchen". Lá cheguei eu para fazer a minha unha, ROXA de vergonha daquelas cutículas que já haviam se incorporado a meu ser tão intimamente, até que eu dei uma olhadinha em volta. Percebi aquelas milhares de mulheres que vão ao salão toda semana e continuam tendo cabelo ruim, sobrancelhas over-feitas e personalidades broxantes e minha vergonha sumiu totalmente.
Até porque o que são umas cuticulazinhas selvagens quando aquelas pobres manicures são obrigadas a fazer o pé daquelas velhas desagradáveis? Eu não sou fã do meu pé mas, meu deus, aquilo ali é um freakshow. Dá até uma dorzinha no coração ver aquela velha com sobrancelhas pintadas e aquele capacete capilar acaju com as raízes brancas, que cisma em pintar as unhas do pé de beringela. Sem contar que, não raro, a pedicure pinta apenas 9 unhas, porque, por algum motivo que eu desconheço, velha ADORA perder a unha do dedão. E ainda fica tudo amarelo nos cantinhos. Grotesco. Homens não precisam se submeter a isso, sabe? Homens podem ter unhas feias. Como se já não bastasse o resto todo, claro. Eu estou presa ao corpo errado, tenho certeza.
O lado bom é que, finalmente, estou sendo forçada a confrontar meus medos. Depois de alguns dias simplesmente olhando para o lado e fingindo que não era comigo toda vez que o telefone tocava, descobri que meus colegas já haviam percebido minha estratégia sórdida e tive que começar a atendê-lo. E não foi tão ruim. Agora eu consigo até pedir pizza sem hiperventilar. Não só isso, como também fiz minha primeira matéria e, pela primeira vez, não inventei pessoas imaginárias para não ter que realizar uma entrevista. Eu realmente DIALOGUEI com elas e tudo o mais. Sem vomitar, desmaiar ou sofrer danos cerebrais irreversíveis nem nada! E valeu a pena, porque pude ver meu nomezinho publicado no jornal e isso foi realmente legal. Tá que não exatamente pullitzer material e, bem, o museu da maré não é exatamente a cobertura dos sonhos. Mas é alguma coisa. Alguma coisa MINHA. Um pequeno degrau na minha loooonga escadaria para o sucesso. Beeeem longa. Tipo "Muralha da China" longa. E, apesar de eu ter certeza de que cairei de cara algumas vezes no caminho, alguma coisa me diz que, eventualmente, eu vou conseguir subir a porra toda. E vou dar pulos catárticos tal qual Rocky Balboa. Só espero até lá ter uma música-tema, porque nada diz sucesso como uma música-tema! E uma estátua, claro. Estátuas são os maiores símbolos de status do ser humano.
Meu aniversário está próximo, fica a dica ;D
Enfim... Apesar de eu estar fazendo todas essas coisas de gente grande agora, eu acho que esse meu, digamos, "desconserto" todo não vai mudar tão cedo. Por mais que agora eu tenha que começar a me preocupar com algumas coisas, o que me força a assumir certas responsabilidades, eu continuo o mesmo "eu" estabanado, esquecido, desorganizado, bagunceiro e desengonçado de sempre. De certo modo, eu sempre detestei isso a respeito de mim mesma. Mas, agora, eu penso que ser assim, esquisitinha, pode não ser tão ruim afinal. Aliás, pode ser justamente aquilo que me diferencia das velhas acaju e das mães ecosport. Acho justo =)
Primeiro: trabalhar CANSA. Eu não sabia disso. Eu achei que fosse uma daquelas coisas que adultos inventassem para não ter que fazer nada. Quem nunca ouviu um "ah, por favor, estou exausta, trabalhei o dia inteiro!" da mãe? Quando eu era criança, era muito efetivo, eu chegava até a simpatizar com a causa, fazia cartinha de "mamãe, fique bem" e o cacete.. Mas então eu cresci. E comecei a achar aquilo tudo um papo furado sem fim. Até porque, enquanto ela ficava deitada vendo "Detetives Médicos", eu estava lá fazendo dever-de-casa/estudando/neurotizando a respeito da próxima prova de física. E isso me bolava. O quão exaustiva pode ser uma tarefa que nem exige dever de casa? Como eu pude descobrir: muito. Não sei COMO, ou PORQUE, mas eu estou constantemente exausta. É intrigante. Eu acho que é ser adulto. Tipo, adultos vivem cansados, essa é tipo a "thing" deles. Agora eu entendo porque meus pais sempre estavam muito "cansados" para jogar comigo. Ou me ajudar com meu dever de casa. Ou me levar para a praia em dias de semana. Ou me dar carinho e afeição.
Brinks. Eu tive bastante carinho e afeição. Realmente não sei porque eu fiquei desse jeito. Acho que pode ter tido algo a ver com uma infância baseada em sorvete napolitano, croissants e "A vaca e o frango". Isso não pode fazer bem para um ser humano.
Outro aspecto desagradável da vida adulta são bancos. Eu abri uma conta porque, bem, é isso que adultos têm que fazer, né? É tipo um rito de passagem, que nem tirar carteira, ou entrar para a faculdade, usar sapatos da linha comfort da Mister Cat ou assistir corrida de fórmula 1 sem querer cortar os pulsos. Enfim, lá fui eu, e, cara, é CHATÃO ficar esperando naqueles banquinhos assépticos. Aliás, alguém deveria fazer algo a respeito de bancos, eles são ambientes muito pouco convidativos. Dá uma sensação esquisita, você não sabe se está esperando para abrir uma conta ou retirar um ovário defeituoso. Enfim, abri, ganhei um cartão e assinei meu nome em várias paradas, o que me fez me sentir bem importante. Também aprendi uma lição da vida adulta: passar o seu cartão é bem mais desagradável que passar o da sua mãe. Tipo, o dinheiro sai da SUA conta. Tira totalmente a diversão de gastar. Péssimo. Pretendo não repetir a experiência tão cedo! Só tenho que descobrir uma maneira de viver passando um cartão que não é meu para sempre. Não deve ser tão difícil, eu pensarei em alguma coisa.
Se eu conseguir voltar a pensar, claro. Porque pensar está me cansando. Televisão está me cansando. Filmes estão me cansando. Livros estão me cansando. Pessoas estão me cansando. Novamente: eu começo a entender porque tantos adultos não têm assunto e só sabem falar de filhos e bebês e novela. Porque eles estão muito cansados para se dedicar a tarefas que realmente utilizam um mínimo de criatividade. Isso me deixa triste. A última coisa que eu quero da minha vida é virar uma pessoa que se acha muito descolada usando termos como "dalit" (ou "Inxalá", ou qualquer outro termo cultural que a Globo esteja brutalizando no momento), ou que realmente acha o alastramento da gripe suína um tópico aceitável para conversas. Ou uma daquelas mulheress que dirigem Ecosports, fazem pilates e compram DVDs do "Toma lá dá cá" para entreter os convidados. Imaginem só. Tenho que perguntar a fórmula do Tom e da Cynthia para a juventude psicológica eterna, ou estou condenada.
I mean, menos de três semanas e eu já estou virando daquelas pessoas que falam "Po, meu chefe falou tal coisa", ou "Cara, você não sabe o que aconteceu no trabalho hoje!". E isso é simplesmente patético. Odeio estagiário que fica falando que vai pro "trabalho". Se achando. Acho que fazer estágio cria um efeito psicológico na pessoa, e ela fica convencidíssima de que é uma peça simplesmente essencial no mecanismo da organização. É uma coisa ridícula. Dá vontade de dar unfollow em todos os estagiários do twitter. Eles conseguem ser mais chatos e monótonos do que vestibulandos. Mas eu não dou, porque sou uma pessoa educada e ainda finjo me importar com os outros porque posso precisar deles no futuro. E porque eu já sei que meu futuro como velha doida da montanha é inevitável, então não custa nada adiar por mais uns anos.
Acho que uma das piores coisas é que as pessoas parecem esperar um certo tipo de compostura que é simplesmente incompatível com a minha pessoa. Foi realmente um momento de ouro quando meu chefe percebeu e comentou o estado lastimável das minhas unhas. Claro que minhas unhas estavam horríveis, elas não viam uma manicure desde que as roupinhas da Mariah Carey ainda eram adequadas para sua idade. Mas digo.. São UNHAS, sabe. É assustador pensar que agora eu tenho que me preocupar com pedacinhos tão insignificantes do meu corpo. E me submeter a salões de beleza que, devo dizer, são um espetáculo à parte. E eu digo espetáculo não no sentido "lindos golfinhos dançando e fazendo barulhinhos meigos", e sim no sentido "mulher barbada, anões de circo e a Gretchen". Lá cheguei eu para fazer a minha unha, ROXA de vergonha daquelas cutículas que já haviam se incorporado a meu ser tão intimamente, até que eu dei uma olhadinha em volta. Percebi aquelas milhares de mulheres que vão ao salão toda semana e continuam tendo cabelo ruim, sobrancelhas over-feitas e personalidades broxantes e minha vergonha sumiu totalmente.
Até porque o que são umas cuticulazinhas selvagens quando aquelas pobres manicures são obrigadas a fazer o pé daquelas velhas desagradáveis? Eu não sou fã do meu pé mas, meu deus, aquilo ali é um freakshow. Dá até uma dorzinha no coração ver aquela velha com sobrancelhas pintadas e aquele capacete capilar acaju com as raízes brancas, que cisma em pintar as unhas do pé de beringela. Sem contar que, não raro, a pedicure pinta apenas 9 unhas, porque, por algum motivo que eu desconheço, velha ADORA perder a unha do dedão. E ainda fica tudo amarelo nos cantinhos. Grotesco. Homens não precisam se submeter a isso, sabe? Homens podem ter unhas feias. Como se já não bastasse o resto todo, claro. Eu estou presa ao corpo errado, tenho certeza.
O lado bom é que, finalmente, estou sendo forçada a confrontar meus medos. Depois de alguns dias simplesmente olhando para o lado e fingindo que não era comigo toda vez que o telefone tocava, descobri que meus colegas já haviam percebido minha estratégia sórdida e tive que começar a atendê-lo. E não foi tão ruim. Agora eu consigo até pedir pizza sem hiperventilar. Não só isso, como também fiz minha primeira matéria e, pela primeira vez, não inventei pessoas imaginárias para não ter que realizar uma entrevista. Eu realmente DIALOGUEI com elas e tudo o mais. Sem vomitar, desmaiar ou sofrer danos cerebrais irreversíveis nem nada! E valeu a pena, porque pude ver meu nomezinho publicado no jornal e isso foi realmente legal. Tá que não exatamente pullitzer material e, bem, o museu da maré não é exatamente a cobertura dos sonhos. Mas é alguma coisa. Alguma coisa MINHA. Um pequeno degrau na minha loooonga escadaria para o sucesso. Beeeem longa. Tipo "Muralha da China" longa. E, apesar de eu ter certeza de que cairei de cara algumas vezes no caminho, alguma coisa me diz que, eventualmente, eu vou conseguir subir a porra toda. E vou dar pulos catárticos tal qual Rocky Balboa. Só espero até lá ter uma música-tema, porque nada diz sucesso como uma música-tema! E uma estátua, claro. Estátuas são os maiores símbolos de status do ser humano.
Meu aniversário está próximo, fica a dica ;D
Enfim... Apesar de eu estar fazendo todas essas coisas de gente grande agora, eu acho que esse meu, digamos, "desconserto" todo não vai mudar tão cedo. Por mais que agora eu tenha que começar a me preocupar com algumas coisas, o que me força a assumir certas responsabilidades, eu continuo o mesmo "eu" estabanado, esquecido, desorganizado, bagunceiro e desengonçado de sempre. De certo modo, eu sempre detestei isso a respeito de mim mesma. Mas, agora, eu penso que ser assim, esquisitinha, pode não ser tão ruim afinal. Aliás, pode ser justamente aquilo que me diferencia das velhas acaju e das mães ecosport. Acho justo =)
domingo, 5 de julho de 2009
Paçoquinha ou Starbucks: eis a questão.
Surto de hiperatividade pós café de 10 reais. Tenho que aproveitar. Nós somos um povo muito ridículo, mesmo, devo dizer... O mundo inteiro exporta café da gente e ainda assim a fila do Starbucks estava simplesmente dando a volta em Botafogo. Fiquei tão envergonhada de estar ali que quase fui embora.
Quase.
Mas aí lembrei o quanto amo aquele café artificial, de baixa qualidade e ridiculamente superfaturado e decidi que dava pra esperar mais um pouquinho. Valeu cada um dos milhões de centavos que gastei no cartão da minha mãe. Aliás, acho que só a idéia de usar cartão de crédito para pagar por UM café já é sintomático. Mas enfim... Eu acho que o sucesso do starbucks se dá ao fato de que usar uns 25 termos diferentes para descrever seu próprio café apela para o psicológico da pessoa. Ela sente que tem um poder de decisão tão tenso, mas tão tenso, que é capaz de dominar cada mínima etapa da produção de sua bebida de escolha. Dá uma idéia de "Eu sou o Rei do meu café". Da mesma maneira que povo fica em polvorosa com a idéia de escolher a cobertura do próprio iogurte ou os conteúdos da própria salada. Tipo, é SUA comida, é apenas natural que você escolha o que vem dentro, certo? Mas, ainda assim, é uma falsa idependência alimentícia muito tentadora.
Sem contar que aquela alma incompreendida, que mora na Glória mas se sente totalmente New Yorker por dentro porque ama usar cachecol e galochas, sente que finalmente encontrou seu lar no starbucks. É até engraçado ver aquela gordinha pegando seu frapuccino java chip tall com chantily e seu muffin de blueberry - detalhe que eu, assim como 90% dos brasileiros, nem sei qual é o formato de um blueberry - e se sentando naquele sofazinho escroto, no meio do shopping, e abrindo sua cópia de "A menina que roubava livros", ou qualquer coisa do Augusto Cury. Tipo "estou na quinta avenida e sou muito culta e cosmopolita". Só que no Botafogo Praia Shopping - só o shopping mais pre-adolescência pobreza do Rio de Janeiro -, com livros de auto-ajuda. Mas enfim.
Eu não sou ninguém pra falar, de qualquer modo... Peço o frapuccino mocha tall, na base light, sem chantilly. E com muito orgulho! Só que sem cachecol, porque eu ainda tenho limites.
O mais engraçado é a contradição. Por exemplo, festas juninas. Elas são basicamente o oposto de um starbucks da vida. Porque a pessoa não vai pra se sentir sofisticada e cosmopolita. Você vai pra uma festa junina pra se sentir livre pra ser POBRE. Festas juninas são ambientes que combinam música de pobre, roupas de pobre, decoração de pobre e, o mais importante, comida de pobre. Você usa vestidos bregas e multicoloridos, pinta sardas no rosto, pega aquela sua calça jeans mais horrorosa e esburacada e, no caso dos mais entusiastas, até cria falsos dentes podres para entrar no personagem! É basicamente um retrocesso total e absoluto, mas, sinceramente, eu nunca vi uma pessoa mais feliz e empolgada em ocasiões formais do que em uma festa junina. Isso vindo de uma pessoa que já frequentou várias ocasiões sociais. EM BRASÍLIA.
Ah, se eu ganhasse um real cada vez por todas as vezes em que vi uma das "desperate housewives made in Goiás" se perdendo no salsichão com farofa e indo até o chão depois de um quentão (ou cinco), eu teria o suficiente para comprar uns 3 Starbucks. E eu tô falando de dondocas SÉRIAS, do tipo escova progressiva de jambo-silvestre-das-florestas-ocultas-do-Jalapão, Ray Ban comprado pelo marido "empresário" (em Brasília, esse termo vem agregado de muitos valores ocultos) na última viagem para a França e Ecosport prateada para levar "Robertinho" e "Júlia" para a aula de natação na Body Tech - onde ela, obviamente, faz pilates e hatha yoga.
Mas enfim, voltando ao ponto incial... Toda aquela pobreza é tão... Libertadora. Você ganha um OK para perder toda a sua classe. Comprando 10 reais em fichinhas (fichinha oldschool, tipo de papel, sem tarja magnética ou chip), você simplesmente enche o traseiro de paçoquinha, bolo de aipim, cuscus doce, tapioca, espetinho e o que mais seu corpo conseguir comportar. E quem pode culpar a pobre dondoca do ecosport por se sentir muito mais realizada comendo aquele cuscus encharcado de leite condensando do que um daqueles malditos canapés de queijo brie com damasco? Que ela come, levantando o dedinho perfeitamente manicurado, enquanto conversa com as companheiras housewives sobre como "Jorginho está adorando as aulinhas de yoga para recém-nascidos". Nesse quesito, não tem o que negar: comida de pobre É O QUE HÁ NA VIDA. Eu jamais trocaria aquele feijão tropeiro com carne-seca e manteiga de garrafa por um "foie-gras" ou qualquer outra dessas paradas que envolvem bichinhos sendo enterrados na terra, boizinhos-filhote que nunca viram a luz do dia ou ovas de peixes especiais criados por freiras cegas e sem mãos. E atire a primeira pedra quem não perde a linha naquelas paçoquinhas em forma de rolha que vêm no potinho redondo! Ou aquela feijoada nojenta, com pé, orelha, olho e o cacete, que só sua vó sabe fazer!
Eu deveria concluir esse post dizendo que dinheiro não compra felicidade, fazendo uma metáfora entre a paçoca, o starbucks e como as coisas simples podem ser muito especiais. Essa seria uma boa moral da história.
Mas eu acho que dinheiro é sempre bom. E que, apesar de coisas simples serem legais, é maravilhoso poder ter as inúteis também. E eu amo meu café superfaturado e capitalista. E pago 17 reais pelo cheesecake do outback.
E, agora que penso sobre o assunto, temo o dia em que terei que depender do meu próprio dinheiro para sobreviver.
Quase.
Mas aí lembrei o quanto amo aquele café artificial, de baixa qualidade e ridiculamente superfaturado e decidi que dava pra esperar mais um pouquinho. Valeu cada um dos milhões de centavos que gastei no cartão da minha mãe. Aliás, acho que só a idéia de usar cartão de crédito para pagar por UM café já é sintomático. Mas enfim... Eu acho que o sucesso do starbucks se dá ao fato de que usar uns 25 termos diferentes para descrever seu próprio café apela para o psicológico da pessoa. Ela sente que tem um poder de decisão tão tenso, mas tão tenso, que é capaz de dominar cada mínima etapa da produção de sua bebida de escolha. Dá uma idéia de "Eu sou o Rei do meu café". Da mesma maneira que povo fica em polvorosa com a idéia de escolher a cobertura do próprio iogurte ou os conteúdos da própria salada. Tipo, é SUA comida, é apenas natural que você escolha o que vem dentro, certo? Mas, ainda assim, é uma falsa idependência alimentícia muito tentadora.
Sem contar que aquela alma incompreendida, que mora na Glória mas se sente totalmente New Yorker por dentro porque ama usar cachecol e galochas, sente que finalmente encontrou seu lar no starbucks. É até engraçado ver aquela gordinha pegando seu frapuccino java chip tall com chantily e seu muffin de blueberry - detalhe que eu, assim como 90% dos brasileiros, nem sei qual é o formato de um blueberry - e se sentando naquele sofazinho escroto, no meio do shopping, e abrindo sua cópia de "A menina que roubava livros", ou qualquer coisa do Augusto Cury. Tipo "estou na quinta avenida e sou muito culta e cosmopolita". Só que no Botafogo Praia Shopping - só o shopping mais pre-adolescência pobreza do Rio de Janeiro -, com livros de auto-ajuda. Mas enfim.
Eu não sou ninguém pra falar, de qualquer modo... Peço o frapuccino mocha tall, na base light, sem chantilly. E com muito orgulho! Só que sem cachecol, porque eu ainda tenho limites.
O mais engraçado é a contradição. Por exemplo, festas juninas. Elas são basicamente o oposto de um starbucks da vida. Porque a pessoa não vai pra se sentir sofisticada e cosmopolita. Você vai pra uma festa junina pra se sentir livre pra ser POBRE. Festas juninas são ambientes que combinam música de pobre, roupas de pobre, decoração de pobre e, o mais importante, comida de pobre. Você usa vestidos bregas e multicoloridos, pinta sardas no rosto, pega aquela sua calça jeans mais horrorosa e esburacada e, no caso dos mais entusiastas, até cria falsos dentes podres para entrar no personagem! É basicamente um retrocesso total e absoluto, mas, sinceramente, eu nunca vi uma pessoa mais feliz e empolgada em ocasiões formais do que em uma festa junina. Isso vindo de uma pessoa que já frequentou várias ocasiões sociais. EM BRASÍLIA.
Ah, se eu ganhasse um real cada vez por todas as vezes em que vi uma das "desperate housewives made in Goiás" se perdendo no salsichão com farofa e indo até o chão depois de um quentão (ou cinco), eu teria o suficiente para comprar uns 3 Starbucks. E eu tô falando de dondocas SÉRIAS, do tipo escova progressiva de jambo-silvestre-das-florestas-ocultas-do-Jalapão, Ray Ban comprado pelo marido "empresário" (em Brasília, esse termo vem agregado de muitos valores ocultos) na última viagem para a França e Ecosport prateada para levar "Robertinho" e "Júlia" para a aula de natação na Body Tech - onde ela, obviamente, faz pilates e hatha yoga.
Mas enfim, voltando ao ponto incial... Toda aquela pobreza é tão... Libertadora. Você ganha um OK para perder toda a sua classe. Comprando 10 reais em fichinhas (fichinha oldschool, tipo de papel, sem tarja magnética ou chip), você simplesmente enche o traseiro de paçoquinha, bolo de aipim, cuscus doce, tapioca, espetinho e o que mais seu corpo conseguir comportar. E quem pode culpar a pobre dondoca do ecosport por se sentir muito mais realizada comendo aquele cuscus encharcado de leite condensando do que um daqueles malditos canapés de queijo brie com damasco? Que ela come, levantando o dedinho perfeitamente manicurado, enquanto conversa com as companheiras housewives sobre como "Jorginho está adorando as aulinhas de yoga para recém-nascidos". Nesse quesito, não tem o que negar: comida de pobre É O QUE HÁ NA VIDA. Eu jamais trocaria aquele feijão tropeiro com carne-seca e manteiga de garrafa por um "foie-gras" ou qualquer outra dessas paradas que envolvem bichinhos sendo enterrados na terra, boizinhos-filhote que nunca viram a luz do dia ou ovas de peixes especiais criados por freiras cegas e sem mãos. E atire a primeira pedra quem não perde a linha naquelas paçoquinhas em forma de rolha que vêm no potinho redondo! Ou aquela feijoada nojenta, com pé, orelha, olho e o cacete, que só sua vó sabe fazer!
Eu deveria concluir esse post dizendo que dinheiro não compra felicidade, fazendo uma metáfora entre a paçoca, o starbucks e como as coisas simples podem ser muito especiais. Essa seria uma boa moral da história.
Mas eu acho que dinheiro é sempre bom. E que, apesar de coisas simples serem legais, é maravilhoso poder ter as inúteis também. E eu amo meu café superfaturado e capitalista. E pago 17 reais pelo cheesecake do outback.
E, agora que penso sobre o assunto, temo o dia em que terei que depender do meu próprio dinheiro para sobreviver.
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